
O Problema
Diversos fungos de importância médica e especialmente de importância agrícola desenvolveram resistência contra os fungicidas do mercado e passaram a atacar plantações e lavouras de soja, tomate, batata, frutos cítricos e outros (SUMITOMO CHEMICAL, 2021). Os fungos podem contaminar folhas, flores, os tubérculos e frutos nas plantações e apodrecê-los no campo ou pós-colheita, durante a armazenagem (Reis; Medeiros; Bresolin; Casa, 2015). Frequentemente, a única solução após essas infecções generalizadas por fungos é a queima total das lavouras.
Tal problema pode gerar graves consequências, como aumento de custos, resíduos em alimentos e contaminações ambientais. (Ghini; Kimati, 2000). Essas contaminações antingem os recursos hídricos, o ar, assim como a fauna e a flora não alvo da aplicação. A exposição ambiental aos fungicidas sintéticos favorece a multiplicação de fungos resistentes a esses compostos. Assim, isolados resistentes podem ser inalados ou ingeridos por indivíduos que trabalham em plantações, vivem próximo dessas áreas ou consomem os produtos da colheita. (INSTITUTO DE PESQUISA E EDUCAÇÃO EM SAÚDE DE SÃO PAULO, 2017)
Ademais, o aumento do uso de fungicidas químicos na agricultura contaminam o solo. Quando aplicados, as substâncias químicas presentes neles afetam microrganismos não destinados a sua aplicação, por exemplo, a microbiota do solo (Takahashi; Melhem, 2014). Para mais, o uso indiscriminado de fungicidas na agricultura, também está afetando humanos, por selecionar fungos oportunistas resistentes a medicamentos.
Presente no ar, o Aspergillus fumigatus é responsável por 90% dos casos de aspergilose, doença oportunista que afeta entre 10 milhões e 20 milhões de pessoas em todo o mundo. A enfermidade é tratada com antifúngicos azólicos. Porém, essas mesmas substâncias são amplamente utilizadas em plantas, o que, segundo pesquisadores do Imperial College de Londres, provoca a queda da eficácia da droga. (Oliveto, 2022)
Agrotóxicos no Brasil
Devido ao clima propício para a agricultura, o Brasil produz até 3 safras em uma única área por ano, comparada a uma safra, alternada com período frio, em climas temperados. O plantio ao longo de todo o ano, associado às altas temperaturas e umidade das regiões mais produtivas do Brasil, favorecem a proliferação de muitos patógenos causadores de doenças em plantas, os quais são tradicionalmente combatidos com defensivos químicos, chamados popularmente de agrotóxicos. Assim, em volume total o Brasil é o maior consumidor de defensivos agrícolas no mundo, gerando impactos negativos para o meio ambiente, consumidor e agricultor, que sofre com os altos custos e toxicidade dos produtos antimicrobianos (Neto, 2024).
Além disso, um terço da produção agrícola é perdido por doenças fúngicas, atingindo as cinco principais culturas de alimentos no Brasil. Evitar esses prejuízos poderia suprir a demanda de grande parte da população. (CROPLIFE, 2019).
A Solução
Uma alternativa a defensivos químicos que vem ganhando espaço em todo o mundo são estratégias de controle biológico de pragas e doenças, que são compatíveis com uma agricultura orgânica. Hoje o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) tem aprovado 60 especificações de produtos fitossanitários para a agricultura orgânica (Gomes, 2024). Entre estes bioinsumos, existem diversas espécies de Bacillus, como B. amyloliquefaciens, B. subtilis e B. thurigiensis (BRASIL, 2022).
Assim, o trabalho aqui apresentado visa caracterizar a produção de antibióticos e antifúngicos por linhagens de Bacillus spp. prospectadas em 2023, visando sua melhoria para uma maior capacidade de secretar antimicrobianos, desenvolvendo novos bioprodutos para substituir o uso desenfreado de fungicidas e antibióticos químicos em lavouras.